Inspiração



Um bocadinho de mim em palavras soltas, libertas pela digitalização da mente.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011



É o meu mundo que procuro nas tuas entrelinhas. Desfolho-te devagar. Sem pressas. Com a calma típica de quem saboreia o aroma seco das tuas vivências. Inspiro mais uma vez e deixo-me ir, tocando nas cicatrizes que te esqueceste de esconder. Ali estão elas, marcadas nas margens rugosas daquilo que és. Será que é no seu relevo e caminho que encontro a essência de nós dois?
Viro outra página e no meio da tua caligrafia agitada encontro o meu nome...perdido no meio de frases confusas e cheias das intermitências da tua alma...




(Excerto de algo ,ainda sem titulo, em conjunto com a joana :p)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Aromas Irrepetiveis




Em breves segundos, tingidos pela cor da tua pele, em que me pergunto:
- Quem és tu, estranho desconhecido?
És a sombra recortada daquilo que quero em mim. Tu não és como eu desenhei. O teu olhar penetrava-me na alma enquanto partias para longe, para bem longe de mim. E enquanto isso era nos teus passos que me perdia, na musicalidade inerente ao teu andar desengonçado. Compasso marcado pelas rugas de expressão que fazes quando a tua alma sorri.
Voltei a ter aqueles pequenos e fugazes arrepios em que o meu corpo se perdia quando me tocavas. Via-me preso em memórias que ressuscitas-te quando me voltaste costas. Memórias que até então estavam enterradas na mais longínqua encruzilhada para lá da ponte, para cá da biblioteca, no meio da minha mente. A minha alma tornara-se vazia sem aquela nossa simbiose constante de pensamentos. Partiste e deixaste-me só, sem um pedaço do que era, um pedaço que, sem ti, jamais poderá ser preenchido.
Eu existia em ti. No doce paladar das tuas palavras encontrava as razões para toda aquela insanidade. Querer-te sem te poder ter por completo. No suave rogaçar dos lençóis, encontrávamos o som da pertença, da exclusividade de sermos um só. E agora nada disso é real. Esta noite estou só e o mundo em que me perco não é mais o teu.
Os aromas que eu um dia fixei graças a ti fugiram. Não são mais meus. Não são mais nossos. Pergunto-me, depois daquela noite lúgubre, será que ainda temos algo nosso? As palavras sonantes em sinfonia que antes éramos capazes de saborear agora são como o limão, ácidas, e vão-me queimando os dedos à medida que vou tocando nos lençóis, tentando, uma última vez, absorver o teu perfume. Aquele que, no outro dia, o meu corpo emanava e que com ele, com o aroma do teu perfume, eu adormeci na última noite.
Agora sou apenas um vulto de nós dois, perdido numa nuvem de cetim branca. Só o contorno do meu corpo preenche este espaço e só eu olho a noite através daquela janela. Lembraste quando nos amámos tendo as estrelas como espectadoras? Lembraste da sensação de continuidade dos nossos corpos? Hoje, vagueias na minha memória, junto com suspiros e arquejos.
Memórias amargas de beijos irrepetíveis que me rompem e rasgam a alma.

Miri* e Ricardo Cunha
(Texto resultado de uma colaboração com o ricardo - to one in paradise partindo das últimas frases do meu último texto. )

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Estranho Desconhecido...


Momentos furtivos serpenteando por um tempo que não é nosso. Um querer traduzido em pequenos silêncios cúmplices, que nos unem com invisíveis cordéis de vida.
Olhares sussurrados num dialecto cerrado, de sons contrastantes e que nenhum dos dois domina.
A tua mão perdida na minha cintura, enquanto a minha respiração espera pacientemente a tua. Um recuo leve na realidade e um arrepio na pele, quente de antecipação.
No toque subentendido de pensamento, a inexperiência do desejo de entender aquilo que podemos ser juntos. Segredo guardado entre as paredes da nossa loucura.
É a tua voz profunda junto ao meu ouvido , suave caricia no coração, que me avisa da escassez dos minutos que nos restam. É o cheiro do teu perfume que me inebria e me tira a razão. Simbiose de ti no vulto esquecido de quem já fui.
No intervalo das sentenças ensaiadas que proferes é no desenho dos teus lábios que me fixo. Breves segundos, tingidos pela cor da tua pele, em que me pergunto - Quem és tu, estranho desconhecido? 
És a sombra recortada daquilo que quero em mim.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Critica a "Solitude - Pequenas Histórias de Grandes Viagens" de Sérgio Brota:



Solitude - Pequenas histórias de grandes viagens
"A viagem é uma forma privilegiada de acesso ao conhecimento; possibilita a reflexão e o crescimento pessoal.
Por isso, quem tem alma de viajante procura a diferença, não a semelhança. E ser viajante é muito mais do que ser turista: é percorrer o mundo como uma criança, mastigar devagar alimentos que não se conhecem, experimentar sensações novas, ver tudo como se fosse a primeira vez; é deixar que outras pessoas e outras culturas nos emocionem e nos deixem mais ricos como seres humanos."
Roland Barthes

Nota do Autor :
Solitude conta as minhas voltas pelo mundo durante os últimos anos.
Gosto de lhe chamar um livro para viajar mais do que um livro de viagens, recolhe algumas histórias que me aconteceram em locais como a Patagónia, a Islândia ou a percorrer 1/3 do mundo de combóio pelo transiberiano. Mas qualquer uma delas podia ter acontecido convosco. Mais do que um conto, é um convite.


Opinião Literária:

Palmilhando o Japão e encontrando pontos de encontro na paisagem vista do céu, atravessando oito fusos horários a bordo do Transiberiano, descobrido o Médio Oriente vendo o nascimento e a morte do sol nas margens do Nilo. Sentido no sangue a vibração musical e cultural de Cuba, o transpirar da revolução em cada poro. Visitando os recantos da Patagónia ou sentido o frio dos fiordes da Islândia, ouvindo o doce para a alma que a Natureza nos permite alcançar.
Parece-lhe bem? Para tudo isto temos um bilhete de ida quando lemos “Solitude- Pequenas Histórias de Grandes Viagens” de Sérgio Brota. Uma viagem literária que nos faz abraçar o inexplicável de outros mundos. Sentir o aroma e ouvir o som de outros universos.
Num livro assumido como um projecto muito pessoal, tal como o próprio autor confessa, vamos acompanhando o percurso por terras longínquas feito por este engenheiro que encontra nas viagens uma forma de evasão. Com fotografias que acompanham o relato dando-nos um vislumbre mais acentuado daquilo que foi vivido, o autor vai descortinando para o leitor os pedaços do desconhecido. Sérgio Brota conserva durante todo o livro o mesmo registo literário, um tom impessoal mas que ao mesmo tempo nos consegue envolver pela simplicidade. Sente-se nas palavras o objectivo de não conduzir o leitor a nenhuma opinião induzida, deixando que cada um tire as suas conclusões. É isso que leva cada um a desejar fazer as mesmas viagens, percorrer os mesmos trilhos e descobrir tal como o autor a maravilha do inóspito. Um livro que recomendo a todos os que amam a viagem, o descobrimento de si próprio nas marcas de outros povos. Uma boa companhia para uma tarde bem passada.

Pontos Positivos: Todo o Design do livro é atraente. A capa faz-nos ter vontade de o comprar e explorar. No interior o toque de simplicidade estética mas pormenorizada é agradável à vista e dá-nos uma pista dos recursos visuais na escrita que iremos encontrar ao longo do livro. Uma notável conjugação da experiência de fotógrafo do autor com a escrita.

As fotografias, bem escolhidas, dão um “empurrão” na nossa capacidade de imaginar o que foi visto.

Nunca fazendo demasiada referência com quem viaja o autor permite-nos  acompanhá-lo sem nos sentirmos intrusos. Somos nós leitores os seus companheiros e guiados pela grafia das suas palavras.

Pontos Negativos: Em algumas passagens permitia-se um tom mais pessoal, que mostra-se mais o quanto estas viagens mudaram o autor. As emoções bem doseadas são um bom aditivo nas narrativas de Viajantes – Escritores. Paul Theroux é um bom exemplo disso.

Algumas das fotos teriam mais destaque e seriam mais compreensivas para o leitor se tivessem a cores. O contraste visual teria mais força na mensagem que querem transmitir.

Nota (1-10): 7

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Puro amor




O tempo passa mais devagar agora, nesta realidade clara que nos envolve aos dois em suaves teias de cumplicidade. Espaço entre momentos que nos dão a certeza de estarmos fundidos um no outro, em cada pedaço de pele. Impressões digitais de caminhos só nossos, que levam o aroma dos dois, a chocolate e algodão-doce. Uma estrada de vida partilhada e percorrida a um ritmo compassado, idêntico. Cartas de amor escritas com sorrisos. Visão partilhada do ser. Um eterno reconhecimento de mim própria em ti.

Puro amor.

">Banda sonora: Say What You Want - Texas

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Há dias assim... como diz Marc Levy




" Há dias iluminados por pequenas coisas, pequeninos nadas que nos tornam incrivelmente felizes; uma tarde a comprar antiguidade, um brinquedo antigo que encontramos num ferro-velho, uma mão que agarra a nossa mão, um telefonema de que não estávamos à espera, uma palavra doce, o filhos que nos abraça sem pedir outra coisa senão um momento de amor. Há dias iluminados por pequenos instantes de graça, um cheiro que nos enche a alma de alegria,um raio de sol que entra pela janela, o barulho de uma chuvada quando ainda estamos na cama, ou a chegada da Primavera e dos seus primeiros rebentos"

E acrescenta sabiamente...

"Há dias feitos de pequenos nadas, dias de que nos lembramos tempos depois, sem que possamos saber porquê."

In "O primeiro dia" Marc Levy

Hoje é um dia assim... Um dia em que a tua lembrança apenas traz coisas boas...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Opinião "O primeiro Dia" Marc Levy


Sinopse:


Um objecto misterioso encontrado num vulcão adormecido vai mudar para sempre a vida de Adrian e Keira. Juntos embarcarão numa aventura extraordinária que os levará das margens do lago Turkana, no coração de África, até às montanhas da China, em busca da resposta a uma das perguntas ancestrais da humanidade: como começou a vida na Terra?


Opinião: 

Marc Levy é considerado o autor francês mais lido em todo o mundo e este romance atesta o porquê da escolha de milhares de leitores.

Em “O Primeiro Dia”, Levy conjuga paleontologia, astrofísica e amor numa receita irresistível que prende o leitor do princípio ao fim. Ao longo da narrativa vamos conhecendo Keira e Adrian, personagens principais desta história, e é durante a sua busca pelo esqueleto do primeiro homem e pela descoberta do sítio onde começa a aurora, que vamos ficando entrelaçados na história do casal, misturando sentimentos profundos com conhecimentos sobre os nossos antepassados e sobre a vastidão do universo que nos rodeia. Concentrando todo o “plot” na descoberta do significado de uma jóia que Keira possuía, Levy leva-nos numa viagem trepidante e perigosa por países como Grécia, China, França e Inglaterra. Dando-nos todas as provas do seu talento descritivo, o autor encanta-nos com os relatos vívidos de paisagens luxuriantes, que nos transportam para junto das personagens e nos fazem viver cada movimento dos mesmos.
Um livro que recomendo a todos os que gostam de romance aliado com uma imensidão de cultura geral e deixando o cheirinho da literatura de viagens no ar.

Melhor personagem: Adrian. O personagem principal deste livro e também narrador, é sem dúvida a personagem mais bem conseguida. Consistente desde o inicio, Levy traça-nos com palavras o rosto e a personalidade de um homem que reconhecemos como alguém real e quase palpável. Um homem que poderíamos encontrar numa biblioteca perdida no meio de Londres, ou nos alfarrabistas do mercado de Camden. Em duas palavras: Inteligente e Romântico.

Ponto Positivo: O facto de ao longo de todo o livro termos quase uma aula de astrofísica e de paleontologia, além de considerações sobre a importância de Deus na vida do ser humano torna o livro mais rico e interessante.

Ponto Negativo: A péssima tradução! Em cada página podem encontrar-se erros crassos de tradução que desvirtuam em muito a qualidade do texto original. Para quem entende francês aqui fica o conselho: Marc Levy é muito melhor lido na sua língua original.

Melhor trecho:

"Ficarei aqui contigo, meu amor, até ao fim fico aqui ao pé de ti, até ao fim e mais ainda. Nunca te deixei. Abracei-te e beijei-te quando as águas do rio Amarelo nos engoliram e te dei o derradeiro sopro da minha respiração. Esse ar dos meus pulmões era o teu ar. Fechaste os olhos quando a água cobriu as nossas faces ;conservei abertos os meus olhos até ao teu último instante de vida. Eu tinha partido em busca de respostas para as minhas perguntas de menino, e fizera-o no mais profundo do Universo, nas estrelas mais longínquas, e tu estavas lá, estavas lá ao meu lado. Sorriste, os teus braços prenderam-se em volta dos meus ombros e eu não senti nenhuma dor, meu amor. Depois o teu abraço desfez-se, e foram esses os meus últimos instantes de ti, as minhas últimas recordações, meu amor, perdi a consciência quando te perdi."


Classificação (1-10) - 8