Inspiração



Um bocadinho de mim em palavras soltas, libertas pela digitalização da mente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Critica a "Solitude - Pequenas Histórias de Grandes Viagens" de Sérgio Brota:



Solitude - Pequenas histórias de grandes viagens
"A viagem é uma forma privilegiada de acesso ao conhecimento; possibilita a reflexão e o crescimento pessoal.
Por isso, quem tem alma de viajante procura a diferença, não a semelhança. E ser viajante é muito mais do que ser turista: é percorrer o mundo como uma criança, mastigar devagar alimentos que não se conhecem, experimentar sensações novas, ver tudo como se fosse a primeira vez; é deixar que outras pessoas e outras culturas nos emocionem e nos deixem mais ricos como seres humanos."
Roland Barthes

Nota do Autor :
Solitude conta as minhas voltas pelo mundo durante os últimos anos.
Gosto de lhe chamar um livro para viajar mais do que um livro de viagens, recolhe algumas histórias que me aconteceram em locais como a Patagónia, a Islândia ou a percorrer 1/3 do mundo de combóio pelo transiberiano. Mas qualquer uma delas podia ter acontecido convosco. Mais do que um conto, é um convite.


Opinião Literária:

Palmilhando o Japão e encontrando pontos de encontro na paisagem vista do céu, atravessando oito fusos horários a bordo do Transiberiano, descobrido o Médio Oriente vendo o nascimento e a morte do sol nas margens do Nilo. Sentido no sangue a vibração musical e cultural de Cuba, o transpirar da revolução em cada poro. Visitando os recantos da Patagónia ou sentido o frio dos fiordes da Islândia, ouvindo o doce para a alma que a Natureza nos permite alcançar.
Parece-lhe bem? Para tudo isto temos um bilhete de ida quando lemos “Solitude- Pequenas Histórias de Grandes Viagens” de Sérgio Brota. Uma viagem literária que nos faz abraçar o inexplicável de outros mundos. Sentir o aroma e ouvir o som de outros universos.
Num livro assumido como um projecto muito pessoal, tal como o próprio autor confessa, vamos acompanhando o percurso por terras longínquas feito por este engenheiro que encontra nas viagens uma forma de evasão. Com fotografias que acompanham o relato dando-nos um vislumbre mais acentuado daquilo que foi vivido, o autor vai descortinando para o leitor os pedaços do desconhecido. Sérgio Brota conserva durante todo o livro o mesmo registo literário, um tom impessoal mas que ao mesmo tempo nos consegue envolver pela simplicidade. Sente-se nas palavras o objectivo de não conduzir o leitor a nenhuma opinião induzida, deixando que cada um tire as suas conclusões. É isso que leva cada um a desejar fazer as mesmas viagens, percorrer os mesmos trilhos e descobrir tal como o autor a maravilha do inóspito. Um livro que recomendo a todos os que amam a viagem, o descobrimento de si próprio nas marcas de outros povos. Uma boa companhia para uma tarde bem passada.

Pontos Positivos: Todo o Design do livro é atraente. A capa faz-nos ter vontade de o comprar e explorar. No interior o toque de simplicidade estética mas pormenorizada é agradável à vista e dá-nos uma pista dos recursos visuais na escrita que iremos encontrar ao longo do livro. Uma notável conjugação da experiência de fotógrafo do autor com a escrita.

As fotografias, bem escolhidas, dão um “empurrão” na nossa capacidade de imaginar o que foi visto.

Nunca fazendo demasiada referência com quem viaja o autor permite-nos  acompanhá-lo sem nos sentirmos intrusos. Somos nós leitores os seus companheiros e guiados pela grafia das suas palavras.

Pontos Negativos: Em algumas passagens permitia-se um tom mais pessoal, que mostra-se mais o quanto estas viagens mudaram o autor. As emoções bem doseadas são um bom aditivo nas narrativas de Viajantes – Escritores. Paul Theroux é um bom exemplo disso.

Algumas das fotos teriam mais destaque e seriam mais compreensivas para o leitor se tivessem a cores. O contraste visual teria mais força na mensagem que querem transmitir.

Nota (1-10): 7

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Puro amor




O tempo passa mais devagar agora, nesta realidade clara que nos envolve aos dois em suaves teias de cumplicidade. Espaço entre momentos que nos dão a certeza de estarmos fundidos um no outro, em cada pedaço de pele. Impressões digitais de caminhos só nossos, que levam o aroma dos dois, a chocolate e algodão-doce. Uma estrada de vida partilhada e percorrida a um ritmo compassado, idêntico. Cartas de amor escritas com sorrisos. Visão partilhada do ser. Um eterno reconhecimento de mim própria em ti.

Puro amor.

">Banda sonora: Say What You Want - Texas

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Há dias assim... como diz Marc Levy




" Há dias iluminados por pequenas coisas, pequeninos nadas que nos tornam incrivelmente felizes; uma tarde a comprar antiguidade, um brinquedo antigo que encontramos num ferro-velho, uma mão que agarra a nossa mão, um telefonema de que não estávamos à espera, uma palavra doce, o filhos que nos abraça sem pedir outra coisa senão um momento de amor. Há dias iluminados por pequenos instantes de graça, um cheiro que nos enche a alma de alegria,um raio de sol que entra pela janela, o barulho de uma chuvada quando ainda estamos na cama, ou a chegada da Primavera e dos seus primeiros rebentos"

E acrescenta sabiamente...

"Há dias feitos de pequenos nadas, dias de que nos lembramos tempos depois, sem que possamos saber porquê."

In "O primeiro dia" Marc Levy

Hoje é um dia assim... Um dia em que a tua lembrança apenas traz coisas boas...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Opinião "O primeiro Dia" Marc Levy


Sinopse:


Um objecto misterioso encontrado num vulcão adormecido vai mudar para sempre a vida de Adrian e Keira. Juntos embarcarão numa aventura extraordinária que os levará das margens do lago Turkana, no coração de África, até às montanhas da China, em busca da resposta a uma das perguntas ancestrais da humanidade: como começou a vida na Terra?


Opinião: 

Marc Levy é considerado o autor francês mais lido em todo o mundo e este romance atesta o porquê da escolha de milhares de leitores.

Em “O Primeiro Dia”, Levy conjuga paleontologia, astrofísica e amor numa receita irresistível que prende o leitor do princípio ao fim. Ao longo da narrativa vamos conhecendo Keira e Adrian, personagens principais desta história, e é durante a sua busca pelo esqueleto do primeiro homem e pela descoberta do sítio onde começa a aurora, que vamos ficando entrelaçados na história do casal, misturando sentimentos profundos com conhecimentos sobre os nossos antepassados e sobre a vastidão do universo que nos rodeia. Concentrando todo o “plot” na descoberta do significado de uma jóia que Keira possuía, Levy leva-nos numa viagem trepidante e perigosa por países como Grécia, China, França e Inglaterra. Dando-nos todas as provas do seu talento descritivo, o autor encanta-nos com os relatos vívidos de paisagens luxuriantes, que nos transportam para junto das personagens e nos fazem viver cada movimento dos mesmos.
Um livro que recomendo a todos os que gostam de romance aliado com uma imensidão de cultura geral e deixando o cheirinho da literatura de viagens no ar.

Melhor personagem: Adrian. O personagem principal deste livro e também narrador, é sem dúvida a personagem mais bem conseguida. Consistente desde o inicio, Levy traça-nos com palavras o rosto e a personalidade de um homem que reconhecemos como alguém real e quase palpável. Um homem que poderíamos encontrar numa biblioteca perdida no meio de Londres, ou nos alfarrabistas do mercado de Camden. Em duas palavras: Inteligente e Romântico.

Ponto Positivo: O facto de ao longo de todo o livro termos quase uma aula de astrofísica e de paleontologia, além de considerações sobre a importância de Deus na vida do ser humano torna o livro mais rico e interessante.

Ponto Negativo: A péssima tradução! Em cada página podem encontrar-se erros crassos de tradução que desvirtuam em muito a qualidade do texto original. Para quem entende francês aqui fica o conselho: Marc Levy é muito melhor lido na sua língua original.

Melhor trecho:

"Ficarei aqui contigo, meu amor, até ao fim fico aqui ao pé de ti, até ao fim e mais ainda. Nunca te deixei. Abracei-te e beijei-te quando as águas do rio Amarelo nos engoliram e te dei o derradeiro sopro da minha respiração. Esse ar dos meus pulmões era o teu ar. Fechaste os olhos quando a água cobriu as nossas faces ;conservei abertos os meus olhos até ao teu último instante de vida. Eu tinha partido em busca de respostas para as minhas perguntas de menino, e fizera-o no mais profundo do Universo, nas estrelas mais longínquas, e tu estavas lá, estavas lá ao meu lado. Sorriste, os teus braços prenderam-se em volta dos meus ombros e eu não senti nenhuma dor, meu amor. Depois o teu abraço desfez-se, e foram esses os meus últimos instantes de ti, as minhas últimas recordações, meu amor, perdi a consciência quando te perdi."


Classificação (1-10) - 8

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

...


"O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo." (Mario Quintana)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A uma grande amiga...


Hoje voas para longe. Para um sitio desconhecido de ambas onde os sons e os aromas ainda não conduzem a memórias. Onde o as ruas que percorres nada têm a ver com a nossa Lisboa. Aquela que inspirou dezenas dos nossos textos e que ainda nos faz suspirar quando nos afastamos. Vais traçar novos caminhos no mapa da tua vida e embora longe geograficamente eu vou estar sempre por perto, porque aquilo que nos ligou é muito mais forte do que o espaço que nos separa. Não é? A saudade é tramada. Faltou-me aquele abraço e aquele lacrimejar especial. Espero-te em Dezembro?
Vive cada minuto intensamente e regista tudo para me contares com pormenores esta nova etapa da tua vida.

Com todo o carinho,

Mana*

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sem Titulo




Olho em volta e procuro-te. No meio das paredes despidas tento encontrar uma recordação tua. No silêncio sepulcral que nos separa, busco pelo som do teu riso. Apenas me chega o barulho da falta de palavras.
Ando sem rumo, arrastando o corpo que já não reconheço. Percorro cada centímetro do espaço onde estiveste, tentando reconstruir aquilo que não mais voltará a existir. Apesar de estarmos em pleno Agosto, o frio abraça-me com o mesmo cuidado com que tu o fazias. Momentos passados, perdidos em emoções já esquecidas.
Ao longe, junto à janela ampla que nos serviu muitas vezes de pano de fundo para nos perdermos um no outro, vislumbro o recorte da tua silhueta. O teu perfume atinge-me e a exigência de te tocar torna-se demasiado pesada para ser ignorada. Tropeçando nas raízes fundas do meu amor , corro com lágrimas rasando a superfície dos olhos pretos que tu antes exploravas. O teu corpo não reage ao ruído dos meus passos na madeira gasta do soalho, nem ao ofegar da minha respiração e percebo que estás longe. Refugiado num sítio onde nunca poderei entrar.  Estás escondido nas muralhas do corpo de outra mulher, nas memórias do seu corpo e no aroma da sua pele. Saber que a emoção que espelhas no teu rosto não me é dirigida  tem um sabor amargo.
Cruzo-me com o teu olhar e entendo que já não me vês. Para ti sou apenas uma brisa invisível que um dia te fez apertar um pouco mais o casaco contra o corpo. Impressão passageira e monótona que nunca voltará. Tal como aquilo que um dia disseste sentir.


(Este foi o 1º texto que escrevi para o concurso de drabble com o tema Solidão mas acabei por ultrapassar o limite de palavras e não enviei :)