Inspiração



Um bocadinho de mim em palavras soltas, libertas pela digitalização da mente.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A uma grande amiga...


Hoje voas para longe. Para um sitio desconhecido de ambas onde os sons e os aromas ainda não conduzem a memórias. Onde o as ruas que percorres nada têm a ver com a nossa Lisboa. Aquela que inspirou dezenas dos nossos textos e que ainda nos faz suspirar quando nos afastamos. Vais traçar novos caminhos no mapa da tua vida e embora longe geograficamente eu vou estar sempre por perto, porque aquilo que nos ligou é muito mais forte do que o espaço que nos separa. Não é? A saudade é tramada. Faltou-me aquele abraço e aquele lacrimejar especial. Espero-te em Dezembro?
Vive cada minuto intensamente e regista tudo para me contares com pormenores esta nova etapa da tua vida.

Com todo o carinho,

Mana*

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sem Titulo




Olho em volta e procuro-te. No meio das paredes despidas tento encontrar uma recordação tua. No silêncio sepulcral que nos separa, busco pelo som do teu riso. Apenas me chega o barulho da falta de palavras.
Ando sem rumo, arrastando o corpo que já não reconheço. Percorro cada centímetro do espaço onde estiveste, tentando reconstruir aquilo que não mais voltará a existir. Apesar de estarmos em pleno Agosto, o frio abraça-me com o mesmo cuidado com que tu o fazias. Momentos passados, perdidos em emoções já esquecidas.
Ao longe, junto à janela ampla que nos serviu muitas vezes de pano de fundo para nos perdermos um no outro, vislumbro o recorte da tua silhueta. O teu perfume atinge-me e a exigência de te tocar torna-se demasiado pesada para ser ignorada. Tropeçando nas raízes fundas do meu amor , corro com lágrimas rasando a superfície dos olhos pretos que tu antes exploravas. O teu corpo não reage ao ruído dos meus passos na madeira gasta do soalho, nem ao ofegar da minha respiração e percebo que estás longe. Refugiado num sítio onde nunca poderei entrar.  Estás escondido nas muralhas do corpo de outra mulher, nas memórias do seu corpo e no aroma da sua pele. Saber que a emoção que espelhas no teu rosto não me é dirigida  tem um sabor amargo.
Cruzo-me com o teu olhar e entendo que já não me vês. Para ti sou apenas uma brisa invisível que um dia te fez apertar um pouco mais o casaco contra o corpo. Impressão passageira e monótona que nunca voltará. Tal como aquilo que um dia disseste sentir.


(Este foi o 1º texto que escrevi para o concurso de drabble com o tema Solidão mas acabei por ultrapassar o limite de palavras e não enviei :)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Make You Feel My Love





When the rain is blowing in your face,
And the whole world is on your case,
I could offer you a warm embrace
To make you feel my love.

When the evening shadows and the stars appear,
And there is no one there to dry your tears,
I could hold you for a million years
To make you feel my love.

I know you haven't made your mind up yet,
But I would never do you wrong.
I've known it from the moment that we met,
No doubt in my mind where you belong.

I'd go hungry; I'd go black and blue,
I'd go crawling down the avenue.
No, there's nothing that I wouldn't do
To make you feel my love.

The storms are raging on the rolling sea
And on the highway of regret.
Though winds of change are throwing wild and free,
You ain't seen nothing like me yet.

I could make you happy, make your dreams come true.
Nothing that I wouldn't do.
Go to the ends of the Earth for you,
To make you feel my love 

Best Song*

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Oscilação


A corda mostra-se firme à minha frente. Do outro lado dela, vejo um rosto familiar que me faz disparar o ritmo cardíaco. Os olhos azuis brilhantes fixam-me e fazem-me tremer. Daria tudo para que me transmitissem amor, mas bem no fundo tudo o que encontro é indiferença.
Avanço, dou um passo e olho a imensidão de espaço vazio por baixo de mim. O risco de cair aumenta a carga de adrenalina e desejo mais do que nunca a vertigem da queda…do esquecimento. Com uma pirueta no ar arranco à multidão um suspiro expectante, de medo mas também de admiração. Como eu gostaria que essa sensação passasse também para ti.
Sim, tu que me esperas do outro lado desta passagem fina e rugosa. Receber-me-ás nos teus braços mas não me acariciarás, apenas levantarás o meu braço e farás um trejeito encantador, porém falso, que te dará os aplausos de que tanto gostas.
Inclino a cabeça para baixo e observo com mais atenção os espectadores desta noite. Será que lhes daria hoje o espectáculo da sua vida, ou apenas lhes entregaria a dádiva de uma boa noite de espectáculo circense?
Será que sentirias a minha falta se o imenso vazio por baixo de mim me tragasse? Ou seria apenas a dor superficial da perda de alguém a quem já não amas?
Olho na tua direcção e tento esboçar pela última vez um sorriso carinhoso somente dirigido a ti, mas tu não reparas. Toda a tua atenção e amor estão concentrados na mulher atrás de mim. Aquela a quem agora amas. Aquela por quem me trocaste.
A dor trespassa-me e decido. Limpo as lágrimas e num último adeus ao meu público mergulho elegantemente, com firmeza  em direcção ao nada. Adormeço para sempre, vendo finalmente no teu olhar a dor de perder quem amamos.

(Triple-Drabble para concurso do Creative)

Despedida


O teu nome ressoa insistentemente na minha mente. Entre o nevoeiro que separa o nosso mundo da realidade de todos os outros, sei que já lá não estás. As ruas cheias que construímos estão agora desertas, como se fosse apenas a tua presença a enche-las. Eu já não sou suficiente. Nunca fui sem ti. As superfícies espelhadas que antes reflectiam os nossos sonhos agora apenas retribuem imagens de mim mesma. Cansada, triste e eternamente sozinha.
Estendo a mão e tento encontrar a tua, mas tudo o que encontro é espaço vazio, cheio de um ar sufocante que faz doer. A tua inexistência magoa.
O mundo real já não é palpável e eu afundo-me em ti. Em ti, que já não existes. Em ti, a quem peguei na mão já sem vida. Contrariada pela exigência de te voltar a sentir levanto-me da cama ,que ainda tem o teu cheiro, e corro até à aparelhagem. Quando o som me atinge, as lágrimas caem pela primeira vez. Balanço-me ao som da última música que dançámos juntos e deixo-as marcarem os caminhos que tantas vezes percorreste com as tuas mãos. Abraço-me, fingindo que é o teu corpo que me embala e despeço-me de ti.

(Double-Drabble para o concurso do Creative)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Liberdade


Corro em direcção a ti, saltando barreiras invisíveis que me apertam a alma. Mãos puxam-me para o nada, para o vazio da inércia e do silêncio. A pele arde-me com o toque do medo e faz-me lembrar a dor de permanecer calada no meio do barulho da injustiça. Lembro-me do preconceito que sempre me rodeou e revolto-me com a imagem. Tenho a tentação de parar. Mas não posso, pois levo comigo a esperança de milhares de mulheres que lutaram por ti. Corro mais depressa, ignorando as vozes, e alcanço-te. Abraço-te, enquanto as lágrimas caem e eu grito, enfim: LIBERDADE!


(TEXTO CONCEBIDO PARA O CONCURSO DE DRABBLE 1º FASE DO PORTUGAL CREATIVE :P)

Título Original: The Year of Fog


Autor: Michelle Richmond

Editora: Editorial Presença

Colecção: Grandes Narrativas, nº474

Tradução: Maria João Ferro

Data 1ª Edição: 20/07/2010

Sinopse:
 Uma mulher e uma criança passeiam na praia, numa fria manhã de Verão. O nevoeiro é tão denso que a visibilidade não ultrapassa alguns metros. A criança, irrequieta, solta-se por momentos da mão da mulher e não volta a ser vista. Fazem-se repetidas buscas, mas decorrem dias, semanas, meses e não se encontra rasto da menina desaparecida. Uma história pungente, escrita da perspectiva de uma mulher que, por uma desatenção de segundos, se torna responsável pelo desaparecimento da filha do homem que ama.


Opinião:

Com uma linguagem fácil e cativante, Michelle Richmond traz-nos a história de desespero de Abby, que num momento de distracção visual, perde de vista a filha do seu noivo, Emma, e ela desaparece. Misturando a busca incessante do casal com vislumbres do complexo mundo da fotografia e tocando nos segredos da memória, a autora estimula o nosso conhecimento e deixa-nos expectantes por aquilo que virá a seguir.


"O Ano do Nevoeiro" é um relato vivido do desespero de todos os pais que passaram pela experiência traumatizante de perder um filho. O passar dos dias a conta- gotas, a sensação de impotência e o desgaste emocional são descritos habilmente, com a dose certa de dramatismo, sem exageros ou falsas pretensões de impressionar mais do que o necessário e é isso que faz com que o leitor fique com o coração apertado e sinta o desejo premente de ajudar na busca de Emma.


Contrabalançando a tensão pintada em cada página, Richmond oferece-nos um final diferente do que acontece na maioria dos casos da realidade, mas apesar do cheiro a milagre que fica no ar, a autora não deixa de nos passar a mensagem que a dor da perda deixa cicatrizes profundas que transformam a vida de modo indelével.


Um livro forte e sentimental que nos desenha o amor de uma forma muito mais abrangente. Um tributo a todos os que já passaram pela mesma dor.