É a tua ausência que magoa agora. Aquela que será permanente e que nos gravará apenas como memórias felizes na mente um do outro. Aquela que ainda não te contei como será. Aquela para a qual ainda não engendrei uma história, cheia de eufemismos e açúcar em pó, para que fira menos.
Tenho medo de não te ter. De olhar em volta e não ver o teu olhar meigo desenhar o meu sorriso. De não sentir as tuas mãos enlaçarem a minha cintura e sentir-me perder no teu cheiro.. a mar... a uma imensidão nossa que nunca vamos poder explicar.
É depois de te ter tão completamente, de partilhar contigo muito mais do que silêncios ou palavras desconexas, que sinto aquilo que nunca poderemos ser. Porque a corrente da vida nos empurra para direcções diferentes, para lados do planeta distintos e nos encerra lá, longe do alcance daquilo que sentimos.
Guardas-me para sempre? Num cantinho especial do teu coração? Recorda apenas o som do meu riso, o toque da minha pele, o som da minha voz, o encaixe do meu corpo... Não guardes as lágrimas.. esquece-as e mantém quente na memória aquilo que construimos juntos. Polvilha com o amor que sabemos sentir, mesmo que não o confessemos, e torna-me parte indelével de ti. Como tu serás de mim.
Inspiração
Um bocadinho de mim em palavras soltas, libertas pela digitalização da mente.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
terça-feira, 14 de agosto de 2012
A cinco passos de distância
E ali estava ela. Imóvel. Deitada no chão de mármore branco, sem nada que a escudasse do gelo cortante da superfície espelhada. Nua e silenciosa. Com a pretensão de ser mais desprendida do mundo material do que nós que a observamos. Vaidade de quem já perdeu o juízo, digo eu.Que na verdade sou a única que a observo por detrás desta parede de madeira talhada com uma janela que poucas vezes foi aberta e o recorte perfeito da fechadura. Espreito novamente pela abertura envidraçada, que me permite vê-la sem denunciar a minha presença. Sou invisível, inexistente no mundo alternativo em que ela escolheu viver. Devagar, como se tivesse medo de despertar os fantasmas que se escondem nos cantos vazios deste quarto, começa a mexer os dedos.Procura a luz que vem da única e estreita janela e que incide na parede despida e faz formas que não consigo entender. É uma linguagem própria, codificada que ela alia com sons indecifráveis e que se transforma rapidamente numa lengalenga frenética e agressiva. Só a noite lhe apazigua os medos.
Tentei gritar-lhe, ameaçá-la, bater com toda a minha força na porta mas nada resultou. Esqueço-me que para ela não pareço existir.
Tentei gritar-lhe, ameaçá-la, bater com toda a minha força na porta mas nada resultou. Esqueço-me que para ela não pareço existir.
Como a encontrei? O que faz com que viva comigo? Não sei...
Talvez tenha sido à tanto tempo que a minha memória apagou o momento da sua chegada dos registos da minha vida. Simplesmente acordei um dia e ela estava no quarto do fundo do corredor sentada na cama, olhando-me nos olhos, tentando descobrir os meus segredos. Deixei-a lá e não a incomodei. Não lhe fiz perguntas. Mas a loucura foi piorando e eu isolei-a. Do quê? Não sei bem... mas tentei sempre nunca pensar muito nisso.
Não sei o nome dela e nunca transpus a soleira da porta. Escondo-me e não me atrevo sequer a abrir a fresta que lhe traria o cheiro da minha vida. Não a enfrento porque sempre tive a sensação que iria doer.
Apesar de observá-la ser o meu passatempo - curiosidade mórbida de algo que escolhemos desconhecer - não consigo saber a cor do seu cabelo ou a sua altura certa. Não lhe conheço o cheiro da pele, nem os seus gostos mais básicos. Não lhe perguntei porque nunca come, bebe ou parece até mesmo não dormir. Nunca trocámos uma palavra e nunca a ouvi proferir uma única frase com sentido. Ou então fui eu que escolhi não a compreender. Limito-e a coexistir com ela, negando ao mesmo tempo que ela lá está.
Sei que o nego a cada segundo mas reconheço nela meu lado mais obscuro materializado. Apenas a cinco passos de distância, no fundo do corredor.
Talvez tenha sido à tanto tempo que a minha memória apagou o momento da sua chegada dos registos da minha vida. Simplesmente acordei um dia e ela estava no quarto do fundo do corredor sentada na cama, olhando-me nos olhos, tentando descobrir os meus segredos. Deixei-a lá e não a incomodei. Não lhe fiz perguntas. Mas a loucura foi piorando e eu isolei-a. Do quê? Não sei bem... mas tentei sempre nunca pensar muito nisso.
Não sei o nome dela e nunca transpus a soleira da porta. Escondo-me e não me atrevo sequer a abrir a fresta que lhe traria o cheiro da minha vida. Não a enfrento porque sempre tive a sensação que iria doer.
Apesar de observá-la ser o meu passatempo - curiosidade mórbida de algo que escolhemos desconhecer - não consigo saber a cor do seu cabelo ou a sua altura certa. Não lhe conheço o cheiro da pele, nem os seus gostos mais básicos. Não lhe perguntei porque nunca come, bebe ou parece até mesmo não dormir. Nunca trocámos uma palavra e nunca a ouvi proferir uma única frase com sentido. Ou então fui eu que escolhi não a compreender. Limito-e a coexistir com ela, negando ao mesmo tempo que ela lá está.
Sei que o nego a cada segundo mas reconheço nela meu lado mais obscuro materializado. Apenas a cinco passos de distância, no fundo do corredor.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
o retorno da lamechice :p
Ouço-te a respiração lenta e pausada, escrita no compasso dos sonhos invisíveis aos olhos que não sejam os da tua mente. Tens os olhos cerrados, franzidos no esforço de te perderes nas lutas que te povoam o sono. Manténs os lábios entreabertos, convidativos, adornados com o brilho da noite que teima em esgueirar-se por entre as cortinas. Passo-te um dedo pelo nariz, pequeno, atrevido e tu estremeces e recuas no espaço do colchão. Afastas-te de mim. Murmuras outros nomes, que não o meu, e eu fico a saber que bem no fundo de ti, eu já não pertenço.
Visto-me em silêncio, tentando que o som da roupa a tocar na minha pele não te acorde. És sempre tão atenta. Até a dormir. Enquanto me despeço destes cantos de casas, que tão bem conheço, e que penso nunca mais visitar, deixo-me levar pelo impulso de vislumbrar o teu corpo e desejá-lo novamente. Estás semi-coberta pelos lençóis, num abrigo vago que já partilhei, mas que ao contrário de ti, nunca me impediu de pressentir o gelo dos pingos de chuva da tempestade. Pareces frágil. Quão vãs são as impressões!
Neste espaço, sufocado entre os preliminares de uma relação que não desenvolverá, o único frágil sou eu. Sensível ao poder do teu magnetismo. Do teu exímio poder. Da certeza de não me quereres mais do que umas horas. Quem me contou? Cada um dos teus pedaços.
Pé ante pé, com cuidado para não deixar marcas de despedida, afago-te carinhosamente os cabelos e lanço-te um “gosto de ti” murmurado, eufemizado e insuficiente mas verdadeiro.
Julgo que nem o suave estalido da fechadura denuncia a minha ausência.
Pela primeira vez reparo em como as escadas do teu prédio são longas, intermináveis. Talvez me torne mesquinho quando o teu perfume teima em não me deixar. Corre atrás de mim, enquanto galgo os degraus, procurando um rápido esquecimento de ti.
Ao cruzar o último lanço de escadas prometo a mim próprio nunca mais voltar. Engano-me descaradamente e invoco o pensamento de que não precisarei de ti assim como tu nunca precisaste de mim.
O frio atinge-me mal ponho os pés sobre o ladrilho irregular do passeio e tento aconchegar, inutilmente, a roupa mais ao corpo, ao mesmo tempo que, com as mão enregeladas – antes quentes pelo palmilhar do teu corpo – acendo um cigarro.
O dia tarda em nascer, e a luz do candeeiro incide directamente na tua janela. Antes de virar costas, atrevo-me a olhar apenas mais uma vez. Uma última vez. E sem contar…
Vejo a tua silhueta recortada na luz composta desta noite de Inverno. Estás nua, como te deixei, e sei que se olhar com atenção, o teu corpo ainda retêm as impressões dos meus dedos. Como um mapa detalhado de ti.
Como te desejo. Como te amo.
Deixo cair o cigarro e vejo a ponta incandescente apagar-se na humidade do asfalto. Lanço-te um aceno simples, na tentativa de parecer descontraído com a inexistência de um “nós”, entre os dois. Nunca pensei confessar que era isso que queria quando te bati à porta esta noite com o pretexto de tomar um copo de vinho e pôr a conversa em dia. Afinal, somos melhores amigos.
Viro as costas, a tudo o que nunca irá ser meu e no meio do turbilhão de vozes, que me enchem a cabeça – consciências à muito esquecidas – não ouço o som da janela a abrir e só paro quando a tua voz me atinge.
Num timbre angustiado, gritas-me a plenos pulmões para que não vá, que me queres e que precisas de mim. Que também tens um “gosto de ti” murmurado, guardado para o meu sono agitado.
E aí corro para ti, apago os medos no asfalto frio e não questiono sequer por um segundo o que mudou em ti. A única coisa que me cruza o pensamento é o quanto queria que as tuas escadas fossem mais curtas.
Visto-me em silêncio, tentando que o som da roupa a tocar na minha pele não te acorde. És sempre tão atenta. Até a dormir. Enquanto me despeço destes cantos de casas, que tão bem conheço, e que penso nunca mais visitar, deixo-me levar pelo impulso de vislumbrar o teu corpo e desejá-lo novamente. Estás semi-coberta pelos lençóis, num abrigo vago que já partilhei, mas que ao contrário de ti, nunca me impediu de pressentir o gelo dos pingos de chuva da tempestade. Pareces frágil. Quão vãs são as impressões!
Neste espaço, sufocado entre os preliminares de uma relação que não desenvolverá, o único frágil sou eu. Sensível ao poder do teu magnetismo. Do teu exímio poder. Da certeza de não me quereres mais do que umas horas. Quem me contou? Cada um dos teus pedaços.
Pé ante pé, com cuidado para não deixar marcas de despedida, afago-te carinhosamente os cabelos e lanço-te um “gosto de ti” murmurado, eufemizado e insuficiente mas verdadeiro.
Julgo que nem o suave estalido da fechadura denuncia a minha ausência.
Pela primeira vez reparo em como as escadas do teu prédio são longas, intermináveis. Talvez me torne mesquinho quando o teu perfume teima em não me deixar. Corre atrás de mim, enquanto galgo os degraus, procurando um rápido esquecimento de ti.
Ao cruzar o último lanço de escadas prometo a mim próprio nunca mais voltar. Engano-me descaradamente e invoco o pensamento de que não precisarei de ti assim como tu nunca precisaste de mim.
O frio atinge-me mal ponho os pés sobre o ladrilho irregular do passeio e tento aconchegar, inutilmente, a roupa mais ao corpo, ao mesmo tempo que, com as mão enregeladas – antes quentes pelo palmilhar do teu corpo – acendo um cigarro.
O dia tarda em nascer, e a luz do candeeiro incide directamente na tua janela. Antes de virar costas, atrevo-me a olhar apenas mais uma vez. Uma última vez. E sem contar…
Vejo a tua silhueta recortada na luz composta desta noite de Inverno. Estás nua, como te deixei, e sei que se olhar com atenção, o teu corpo ainda retêm as impressões dos meus dedos. Como um mapa detalhado de ti.
Como te desejo. Como te amo.
Deixo cair o cigarro e vejo a ponta incandescente apagar-se na humidade do asfalto. Lanço-te um aceno simples, na tentativa de parecer descontraído com a inexistência de um “nós”, entre os dois. Nunca pensei confessar que era isso que queria quando te bati à porta esta noite com o pretexto de tomar um copo de vinho e pôr a conversa em dia. Afinal, somos melhores amigos.
Viro as costas, a tudo o que nunca irá ser meu e no meio do turbilhão de vozes, que me enchem a cabeça – consciências à muito esquecidas – não ouço o som da janela a abrir e só paro quando a tua voz me atinge.
Num timbre angustiado, gritas-me a plenos pulmões para que não vá, que me queres e que precisas de mim. Que também tens um “gosto de ti” murmurado, guardado para o meu sono agitado.
E aí corro para ti, apago os medos no asfalto frio e não questiono sequer por um segundo o que mudou em ti. A única coisa que me cruza o pensamento é o quanto queria que as tuas escadas fossem mais curtas.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Para a Narizinho
E por aqui sabemos perfeitamente o quão especial és e o quão bonito é o teu coração. Por tudo aquilo que partilhas e pelos resquicios que sabemos, guardas só para ti.
E sem saber bem porquê - já que não nos conhecemos pessoalmente - gosto de ti. Gosto de te ler e acabo com o coração apertado quando leio que estando longe daqueles que mais amas te sentes tão em baixo.
Não sei dizer bem o que é.. mas também a verdade é que há coisas inexplicáveis. E por isso tudo decidi que hoje te ia deixar um miminho. E aqui está ele. Muita força e lembra-te.. hoje é o dia para seres feliz!
E sem saber bem porquê - já que não nos conhecemos pessoalmente - gosto de ti. Gosto de te ler e acabo com o coração apertado quando leio que estando longe daqueles que mais amas te sentes tão em baixo.
Não sei dizer bem o que é.. mas também a verdade é que há coisas inexplicáveis. E por isso tudo decidi que hoje te ia deixar um miminho. E aqui está ele. Muita força e lembra-te.. hoje é o dia para seres feliz!
Para a Narizinho
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Já não te quero...
Agora basta-me o silêncio. No meio destas paredes, pintadas pelo vazio de ti é o silêncio a minha melhor companhia.
“Disparate” dirias tu, com a tua voz grossa, às vezes quase gutural. Não conseguias pensar em mim sem movimento e música ao meu redor. Mas agora é assim que estou. Calmamente sentada na quietude de querer estar só, completamente só.
De onde estou, sobre a cama mas fechada em mim mesma, consigo ouvir os sons da manhã. Os cães correm de um lado para o outro, ladram em uníssono e eu sei que esperam a tua resposta. As marcas da correria vão ficar, como sempre, desenhadas na areia fina que cobre a entrada da casa, mas desta vez as tuas pegadas não vão intercalar as deles. Hão-de desistir de esperar, penso enquanto cerro mais os olhos e me recuso a ver o brilho do sol a entrar por entre as cortinas. A manhã és tu. E a ti já não te quero.
Sempre foste madrugador. Nasceste com a manhã e com ela ficaste ate ao fim. Todas as tuas melhores fotografias, aquelas em que carregavas um sorriso, tem como pano de fundo este sol quente do acordar. Brilhante, colorido, abraçado ao moreno da tua pele e ao escuro do teu cabelo. Eras mais tu àquela hora. E eu era mais eu, quando te via a seres tu próprio. A tua aceitação aumentava o meu amor, a minha dedicação, o meu orgulho.
Eram essas as fotografias que criavam nestas paredes – agora vazias – o mapa de nós dois. De nós e daqueles que nos pertenciam.
Sim… só pus essas nesta imensidão de branco. As outras – aquelas em que em vez de um sorriso carregavas o peso do mundo nas costas - escondias bem escondidas. Estão junto dos retalhos da memória onde registei o teu sorriso triste, o descair dos teus ombros, o cansaço dos teus olhos. O teu abandono de mim.
Porquê? Porque o pano de fundo não era a manhã e aquele não eras tu. Não éramos nós.
Agora chega-me a ausência da multidão. Fico só com o fantasma de ti. De mim. De nós como um só. Estás mais perto de mim assim, guardado na minha imaginação, do que na voz dos outros, nos retratos falados de como te recordam. Mas não… não te quero! Vai-te embora!!
Agora basto-me a mim…enquanto espero, me minto, aguardo pacientemente pela próxima manhã. Pela resposta ao chamamento dos cães, pelo sorriso madrugador, por ti.
Mas… não voltes! Não, não voltes!
Na verdade, eu já nem te quero.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
"Time is on my side"
O empregado toca-lhe ao de leve no ombro que a camisola deixa a descoberto e pergunta-lhe, num tom profissional e desprovido de ambiguidade, se quer mais café ou apenas a conta. Já é a terceira vez, no meio das cinco horas em que permanece sentada, que a tenta alcançar no meio do barulho dos seus pensamentos. Teme que ela vá, pois o tempo enquanto ela fica é precioso mas assusta-o a quietude melancólica da sua alma.
Ela ouve-o, finalmente, mas apenas parcialmente, como se o som daquela voz, que não reconhece, viesse de muito longe. Outra mesa, outra sala, outra realidade que não a dela. Consegue balbuciar qualquer coisa indistinta e aponta para a chávena meio cheia à sua frente.
Com um suspiro, resignando-se e percebendo o estado de alienação em que ela se encontra, o empregado desiste e mistura o liquido quente e amargo com o restante frio e polvilhado de açúcar. Resquícios das últimas horas em que só o corpo dela se mantêm ali. Com um olhar de pena e de conhecimento, fruto de anos de experiência no desgosto alheio – privilégios de quem observa silenciosamente – afasta-se e deixa-a apenas acompanhada pelos seus fantasmas.
Não importa quem passa, seja cá dentro ou lá fora. Se faz chuva ou sol? Pouco lhe importa. Tem os seus pensamentos, basta-lhe isso para que num dia de chuva faça sol e num dia de sol se faça chuva.
Vazia de pensamentos durante alguns segundos levanta a cabeça e olha através do vidro. Leva a mão à chávena morna e indica-lhe o caminho até aos seus lábios preenchidos por um vermelho garrido. Um pouco de café enche-lhe a boca. Pega num pequeno guardanapo e seca os lábios deixando a marca do seu batom rouge allure numa das pontas.
O empregado distraía-se atrás do balcão a olhar para ela. Ele queria entrar dentro da sua cabeça e saber que pensamentos a deixavam assim. Nunca a tinha visto por ali mas o magnetismo que ela emanava deixa-o preso. Enclausurado na tentação de a decifrar.
Ela pega na colher e afoga-a no café. Começa a brincar com ela fazendo pequenos círculos dentro da chávena ainda cheia e deixando um rasto de corrente finas de espuma. Volta a perder-se nos seus pensamentos e a chávena é agora só um adereço físico que a esconde dos olhares dos outros. Mas não do olhar dele.
Os seus pensamentos parecem magoá-la. A única coisa que a desperta é a pequena campainha que existe por cima da porta. Sempre que alguém entra e o som estridente se faz ouvir ela estremece, fazendo com que a sua pele branca se encha de milhares de pontos assinalados pelos arrepios. Esperava que, ao fim de todo aquele tempo, ele pudesse chegar. Já era tempo; Tenho saudades do seu perfume. – Dizia ela para si em surdina.
Os lábios dela mexem mas ele, encerrado atrás do balcão no fundo sala, não consegue ouvir o som das suas palavras. A espera dela angustia-o, pois as rugas de expressão que lhe atravessam a fronte narram-lhe o sofrimento que ela reservava para si.
Quem seria ele? Que poder tinha para a fazer aguardar assim tão intensamente pela sua chegada?
Ela enrola agora as madeixas de cabelo negro nos dedos finos e delicados. Uma carícia muda que a conduz a memórias que lhe arrancam um sorriso fugaz. Demasiado rápido para apagar a mágoa que ela transporta consigo, mas suficientemente longo para deixar uma marca indelével nele. Um alguém que ela não reconhece, nem nota. Um nada que sente nela a inexplicável atracção de encontrar o seu tudo.
Texto escrito em conjunto com o Ricardo - O Resto é Silêncio.
sábado, 2 de julho de 2011
Miss you*
Num quarto escuro qualquer. Vazio de ti.
Repleto de recordações de outros mas cheio de silêncios nossos.
Vieram agarrados a mim. No rendilhado de suspiros que exalámos na despedida.
No "até já" que murmurámos. Entrançados naquilo que somos.
Pieguices de quem gosta.
Perdições de quem ama...
Para sempre.
Hoje és tu que permaneces.
É a tua presença que o meu corpo procura inconscientemente.
É o sorriso fácil que te inunda o olhar que me faz falta.
Respiração.
Toque.
Quente.
Aconchegante.
Eterno.
Num quarto escuro qualquer. Com a tua imagem em mente.
Com a sensação perpétua de que mesmo longe continuamos ligados.
Com um sussurro inaudível. Só para nós dois.
O "Amo-te" que sei que vais ouvir e a que responderás.
Um beijo de boa noite só ensaiado.
Sentido. Guardado.
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